domingo, 31 de maio de 2009

Os próximos passos da Disney...

O próximo grande investimento da Disney será na refilmagem de “O Voo do Navegador”, lançado na década de 80 e que tem fama de ser “Cult”. A história trata de um menino que foi abduzido por uma nave espacial e que retorna à Terra oito anos depois, totalmente sem memória. A NASA se envolve na vida do menino ao perceber uma conexão entre ele e os alienígenas. A partir daí, a vida do protagonista se transforma numa super aventura! Na versão original faziam parte do elenco os atores Cliff De Young, Sarah Jessica Parker e Veronica Cartwright.

O roteiro da regravação está nas mãos de Brad Copeland (Motoqueiros Selvagens), e a produção será de Mandeville Films (Perdido pra Cachorro). O produtor executivo do original, John Hyde (Space Chimps - Micos no Espaço), vai participar do novo projeto. Em sua época de lançamento (1986), o longa arrecadou US$ 17 milhões.

Outro investimento da Disney é no selo Disneynature, que estreou neste ano com o lançamento de Terra. O selo tem dois novos projetos em vista. O primeiro deles é "African Cats: Kingdom of Courage", que acompanhará duas famílias de felinos africanos. A direção será da dupla Keith Scholey e Alastair Fothergill, com lançamento mundial previsto para 2011.


O segundo projeto é "Chimpanzee", mostrando um grupo de chimpanzés que vivem nas florestas tropicais da Costa do Marfim e de Uganda. A direção será também de Fothergill, desta vez acompanhado de Mark Linfield. A estreia ocorrerá apenas em 2012.

O próximo lançamento da Disneynature será no ano que vem, mais uma vez no Dia da Terra. Trata-se de "Oceans", dirigido por Jacques Perrin (Migração Alada) e Jacques Cluzaud.

Fonte: www.adorocinema.com.br

Por Tabata Viapiana

sábado, 30 de maio de 2009

Vencedor de Oscar estrangeiro estréia nos cinemas

O longa que ganhou o Oscar de melhor filme de língua estrangeira do ano passado teve sua estréia, nessa sexta-feira (29), nos cinemas brasileiros. Os Falsários (2007), dirigido e roteirizado por Stefan Ruzowitzky, é baseado em um livro de memórias de Aldolf Burguer sobre o Holocausto e conta a história da maior falsificação monetária que ocorreu no período da Segunda Guerra Mundial.
Na trama o judeu Salomon Sorowitsch, protagonizado por Karl Markovics, é um pintor bon vivant que é levado para o campo de concentração de Sachsenhausen e se mostra um dos mais aptos à sobrevivência. Por esse motivo ganha regalias e é obrigado, pelos nazistas, a falsificar dólares e libras para patrocinar armas, desestabilizar os mercados dos EUA e da Inglaterra e melhorar a economia interna alemã.
Ao longo da trama, Sorowitsch começa a se perguntar se vale à pena continuar no esquema nazista mesmo que esse seja o único modo de sobreviver. Ao mesmo tempo o comunista, Aldolf Burguer, tenta sabotar o plano da SS, colocando a vida de Sorowitsch em risco.



Por Francieli Santos


Confira o trailler:

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Match Point

Sorte. Parece ser esse a ponto crucial do filme Match Point. E pode até ser que seja, dependendo do ângulo com que o espectador analisa todo enredo. Mas essa grande obra do diretor Woody Allen vai muito mais longe. Assim como grande parte de seus filmes, Match Point também trabalha de forma majestosa com humor irônico e inteligente, conflitos humanos e moralistas, sensações e sentimentos e, como não dizer, um grande conflito entre paixão e dinheiro, com tudo que ambos podem trazer.

A história é basicamente simples. Um novo tenista (Chris Wilton – Jonathan Rhys Meyers) chega a Londres apenas com a ideia de dar aulas em uma escola especializada. Lá conhece Tom Hewett (Matthew Goode), com quem logo encontra afinidade, sendo a Ópera a primeira. Aliás, em todo o filme ela (a Ópera) está presente, dando um tom característico de drama e situações mal resolvidas, até um tanto pesadas. Chris então é convidado para assistir uma apresentação de Ópera com a família de Tom. E lá ele se apaixona pela irmã de Tom, Alec Hewett (Brian Cox). Se se apaixona, não se sabe. Mas surge o interesse. A trama começa a se desenvolver quando Chris é convidado por Tom para passar um final de semana na casa de campo da família, e lá conhece a noiva de Tom, Nola Scarlett Johnasson, por quem, claramente, se encanta à primeira vista. O envolvimento é consumado, o que gera um certo constrangimento para a moça. E parece que só para ela.

A história parece básica. E realmente é. Situações corriqueiras que acontecem a todo momento. No entanto, toda a trama é amarrada de forma surpreendente. Não conheço, nem nunca ouvi falar, alguém que não tenha sofrido grandes impactos ao longo do filme, ou mesmo no final dele. Match Point é visto pela maioria dos críticos como o filme que impulsionou novamente a carreira de Woody Allen. Vale a pena assistir. É uma excelente indicação para quem gosta de boas histórias, muito bem construídas. Apesar disso, ainda acredito que os maiores admiradores dessa obra sejam mesmo pessoas que entendem as tantas “facetas” humanas. Ou ainda, mesmo para aqueles que não entendem, o filme é excelente para quem busca personagens que tratam algumas situações comuns de maneiras muito inesperadas.


Por Iara Maggioni

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nosso trabalho!

Aqui está um fragmento do filme "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" reproduzido pela Cromo produções. Do diretor Woody Allen (de quem já falamos bastante por aqui), o filme de 1977 foi vencedor 4 Oscar: Melhor Diretor, Melhor Atriz (Diane Keaton) e Roteiro Original.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Beleza Americana (1999)

A cena inicial do filme “Beleza Americana”, do diretor Sam Mendes, resume bem todo o longa. A cena aérea mostra um típico bairro dos Estados Unidos, com suas casinhas semelhantes entre si, sem grades ou portões, com ruas paralelas e árvores e jardins bem cuidados. Em alguns momentos, o cenário lembra uma maquete cheia de detalhes – daquelas que a gente vê em imobiliárias. A narração do personagem Lester Burnham (Kevin Spacey) explica claramente o que aquela cena representa para ele: “Esta é a minha vida”.

E é aí que o espectador se vê diante da temática do filme: a busca desenfreada pela perfeição, a busca pela imagem que agrada aos olhos e que te faz se sentir bem, a busca pela realização profissional, nem que para isso você tenha que deixar de lado a sua realização pessoal, abrindo mão da liberdade e de um relacionamento estável e próximo com sua família.

A história do filme trata da vida de Lester Burnham que, em plena crise de meia idade e mergulhado numa infelicidade total, começa a agir como se tivesse voltado à adolescência, tomando decisões que surpreendem a todos que estão ao seu redor. O auge do roteiro de Allan Ball – muito bem escrito, diga-se de passagem – se dá quando o protagonista se apaixona pela melhor amiga de sua filha adolescente. Ponto positivo para a ótima atuação de Kevin Spacey como um homem comum que questiona todas as suas escolhas e resolve mudar o rumo de sua vida, buscando alcançar a tão sonhada felicidade.

Aliás, toda a história é trabalhada de um ponto de vista simples:
são pessoas comuns, vivendo dramas comuns e que chegam a conclusões comuns – ou seja, é nítida a identificação do espectador com os personagens, principalmente com os questionamentos feitos por Lester, tão normais a qualquer um de nós.

Gostaria de retomar a cena inicial, para ressaltar uma informação que nos é passada logo de cara: Lester afirma que em menos de um ano morrerá, a partir do momento daquela cena. Isso já direciona o olhar do espectador, que vai analisando a trajetória do personagem já imaginando sua morte.

“Beleza Americana” foi o primeiro filme dirigido por Sam Mendes, que fez um trabalho excelente, usando uma temática bastante comum em filmes hollywoodianos. A partir disso, ele conduziu a história de maneira original e interessante, salientando a crítica ao “American Way Of Life”, tão marcante no roteiro. A intenção é criticar a sociedade do consumo, tão preocupada em manter as aparências (um bom exemplo é o Coronel Fitts (Chris Cooper) que disfarçava a todo custo sua orientação sexual, mantendo um casamento de fachada).

Com um final tão emocionante quanto praticamente todo o filme, “Beleza Americana” encanta e nos faz questionar nossas escolhas e os caminhos que escolhemos para nossas vidas.


Bom, mudando um pouco de assunto. Como já foi postado semana passada sobre o próximo filme do diretor Woody Allen, “Whatever Works”, não vou repetir. Apenas deixo registrado aqui que já foi liberado o primeiro cartaz de divulgação do filme, que traz a imagem do protagonista, o ator Larry David. O longa será lançado dia 19 de junho, nos Estados Unidos, e ainda não tem data para chegar ao Brasil.

Além disso, Woody Allen já está em fase de pré-produção do próximo filme, mantendo a média de toda sua carreira de fazer, aproximadamente, um filme por ano. O trabalho está sendo guardado a sete chaves e pouco se sabe até agora, apenas que as filmagens serão em Londres. O elenco promete ser recheado de estrelas. Alguns atores de peso já confirmados: Antonio Banderas, Josh Brolin, Anthony Hopkins, Freida Pinto (a indiana de “Quem Quer Ser um Milionário?”) e Naomi Watts.



Por Tabata Viapiana

A Troca


Los Angeles, março de 1928. Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira, se despede de Walter (Gattlin Griffith), seu filho de 9 anos, e parte rumo ao trabalho. Ao retornar descobre que Walter desapareceu, o que faz com que inicie uma busca exaustiva. Cinco meses depois a polícia traz uma criança, dizendo ser Walter. Atordoada pela emoção da situação, além da presença de policiais e jornalistas que desejam tirar proveito da repercussão do caso, Christine aceita a criança. Porém, no íntimo, ela sabe que ele não é Walter e, com isso, pressiona as autoridades para que continuem as buscas por ele.

Ficha Técnica:
ChangelingGênero: DramaTempo de Duração: 141 minutos Ano de Lançamento (EUA): 2008Site Oficial: http://www.changelingmovie.net/Estúdio: Imagine Entertainment / Malpaso Productions / Relativity MediaDistribuição: Universal Pictures Direção: Clint Eastwood Roteiro: J. Michael Straczynski Produção: Brian Grazer, Clint Eastwood, Robert Lorenz e Ron HowardMúsica: Clint Eastwood Fotografia: Tom Stern Desenho de Produção: James J. Murakami Direção de Arte: Patrick M. Sullivan Jr. Figurino: Deborah Hopper Edição: Joel Cox e Gary Roach Efeitos Especiais: CIS Vancouver

Premiações - Recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Atriz (Angelina Jolie), Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. - Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Atriz - Drama (Angelina Jolie) e Melhor Trilha Sonora.- Recebeu 8 indicações ao BAFTA, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Atriz (Angelina Jolie), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Desenho de Produção e Melhor Som.

Curiosidades - Baseado na história verídica conhecida como Wineville Chicken Coop Murders.- Inicialmente seria Ron Howard o diretor, mas ele teve que deixar a função devido a conflitos de agenda.- Clint Eastwood concordou em dirigir A Troca no mesmo dia em que leu seu roteiro. - Hilary Swank e Reese Whiterspoon se interessaram pela personagem Christine Collins. A escolha por Angelina Jolie foi sugestão do produtor Ron Howard, que acreditava que seu visual se encaixava melhor com o perfil da época retratada pelo filme.- No filme é exibida a logomarca em preto e branco da Universal Pictures, a mesma usada nos anos 40. - A pré-estréia de A Troca em Nova York foi a primeira aparição pública de Angelina Jolie após ter dado a luz aos gêmeos Vivienne e Knox.

Fonte: http://www.adorocinema.com/

Por: Patrícia Sheisi

sábado, 23 de maio de 2009

Sex and the City 2

Essa é para quem é fã da série “Sex and the city”. A Warner Bros acaba de definir a data de estréia da continuação do longa “Sex and the city” (2008): 28 de maio de 2010. Mesmo faltando praticamente um ano para o lançamento, a notícia é boa. As filmagens estão marcadas para começar no início de setembro.

O site do jornal O Globo revelou alguns detalhes sobre o roteiro de “Sex and the City 2”: Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) será traída por Mr. Big (Chris Noth). Um integrante da equipe de produção do longa, que não quis se identificar, contou ao jornal que o marido da protagonista não resistirá a uma colega de trabalho mais jovem. A atriz que interpretará o papel ainda não foi definida.

A continuação ainda pode contar com a gravidez da personagem de Sarah Jessica Parker, e pode ter como cenário, além de Nova York, a cidade de Londres. Segundo a fonte, a personagem Samantha Jones (Kim Catrall) vai sofrer com a crise econômica mundial, o que resultará em menos compras para a relações-públicas.

No próximo filme, o diretor e roteirista Michael Patrick King conta novamente com Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Cynthia Nixon e Kristin Davis, interpretando as quatro amigas que conquistaram milhões de fãs ao redor do mundo.

Segundo a revista Variety, a participação do ator Chris Noth, acaba de ser confirmada. Mr. Big é fundamental para a continuação da história, já que é casado com Carrie, a personagem principal do filme.

A primeira adaptação de “Sex and the City” para os cinemas foi um sucesso de público e bilheteria. O longa custou US$ 65 milhões e arrecadou, em todo o mundo, US$ 413 milhões.

Fonte:
www.oglobo.com.br

Por Tabata Viapiana

terça-feira, 19 de maio de 2009

"Tudo Pode Dar Certo"

O novo filme de Woody Allen chega ao Brasil em novembro. Whatever Works, será chamado aqui de “Tudo pode dar certo”, e contará com um grande elenco. O filme conta a história de um homem já na terceira idade (Larry David) que se apaixona pela jovem Melodie (Evan Rachel Wood). Surge dessa relação vários episódios engraçados e românticos. A primeira exibição do longa foi no 8° festival Tribeca Films, idealizado por Robert De Niro. Whatever Works marca também o retorno das filmagens de Allen em nova York, que pare ele tem um custo muito caro de produção.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=7VeTEP3xoXo


http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=21604
http://www.tribecafilm.com/


Por Karin Sampaio

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Anjos e Demônios x Código da Vinci

Ambos do mesmo diretor. Ambos baseados em obra literária de mesmo autor. Ambos levantam polêmicas que giram em torno do que aconteceu ou acontece nos bastidores da Igreja Católica. Não há como não se fazer uma comparação entre “Anjos e Demônios”, filme que estreou na última sexta-feira nos principais cinemas do Brasil, e “O Código da Vinci”, de 2006.

Segundo informações do Portal Uol, “Anjos e Demônios” arrecadou 152 milhões de dólares com vendas de ingresso só no final de semana de estreia, sendo 48 milhões dessa parcela apenas nos Estados Unidos e Canadá. Apesar disso, a expectativa é de que o filme desse ano não atinja as marcas alcançadas pelo “Código da Vinci”, que chegou a faturar 217,5 milhões de dólares somente nos Estados Unidos e passou da marca dos 540 milhões no cenário mundial.

De acordo com Rory Bruer, presidente de distribuição mundial do Columbia Pictures, espera-se que o novo filme passe dos 150 milhões de dólares em venda só na América do Norte, número admirável, mas muito inferior à marca atingida pelo antecessor “Código da Vinci”.

Um dado interessante, e que pode explicar essas diferenças entre os dois filmes, é o fato de o livro “O Código da Vinci” ter vendido 2 vezes mais exemplares se comparado à obra “Anjos e Demônios”. Além disso, segundo o site rottentomaoes.com, a mídia pode ter sua parcela de culpa: de acordo com pesquisa, mais de 60% de todos os artigos e resenhas que saíram sobre o filme faziam críticas negativas e que possivelmente desencorajaram alguns futuros espectadores.

Apesar disso, o filme é uma boa indicação para a semana.

Por Iara Maggioni

domingo, 17 de maio de 2009

Um pouco mais sobre Woody Allen...


Filmografia Woody Allen

2008 - Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona)
2007 - O sonho de Cassandra (Cassandra's dream)
2006 - Scoop - O grande furo (Scoop)
2005 - Ponto final - Match point (Match point)
2004 - Melinda e Melinda (Melinda and Melinda)
2003 - Igual a tudo na vida (Anything else)
2002 - Dirigindo no escuro (Hollywood ending)
2001 - O escorpião de jade (The Curse of the Jade Scorpion)
2000 - Trapaceiros (Small Time Crooks)
1999 - Poucas e boas (Sweet and Lowdown)
1998 - Celebridades (Celebrity)
1997 - Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry)
1996 - Todos dizem eu te amo (Everyone Says I Love You)
1995 - Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite)
1994 - Don't drink the water (TV)
1994 - Tiros na Broadway (Bullets Over Broadway)
1993 - Um misterioso assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mystery)
1992 - Maridos e esposas (Husbands and Wives)
1992 - Neblina e sombras (Shadows and Fog)
1990 - Simplesmente Alice (Alice)
1989 - Crimes e pecados (Crimes and Misdemeanors)
1989 - Contos de Nova York (New York Stories) (3º Conto)
1988 - A outra (Another Woman)
1987 - Setembro (September)
1987 - A Era do Rádio (Radio Days)
1986 - Hannah e suas irmãs (Hannah and her Sisters)
1985 - A rosa púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo)
1984 - Broadway Danny Rose (Broadway Danny Rose)
1983 - Zelig (Zelig)
1982 - Sonhos eróticos numa noite de verão (A Midsummer Night's Sex Comedy)
1980 - Memórias (Stardust Memories)
1979 - Manhattan (Manhattan)
1978 - Interiores (Interiors)
1977 - Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall)
1975 - A última noite de Boris Grushenko (Love and Death)
1973 - O dorminhoco (Sleeper)
1972 - Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar (Everything You Always Wanted to Know About Sex But Were Afraid to Ask)
1971 - Men of Crisis: The Harvey Wallinger Story (TV)
1971 - Bananas (Bananas)
1969 - Um assaltante bem trapalhão (Take the Money and Run)
1966 - O que é que há, gatinha? (What's up, Tiger Lily?)


Curiosidades da carreira

- Teve sua obra reconhecida também no Brasil ao ser indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Filme Estrangeiro por “Desconstruindo Harry".

- A Academia Americana de Comédia concedeu a Allen, em 1987, o prêmio de ator mais engraçado por sua atuação em “Hannah e Suas Irmãs” (1986).

- Apesar de ser indicado para tantas premiações, Woody Allen não gosta de ir a cerimônias de entregas de prêmios, mesmo se for vencedor, pois segundo ele, o cinema é uma profissão que lhe exige dedicação em tempo integral.

- Frequentemente nos filmes em que atua, Allen costuma conversar com a câmera, dando a impressão de estar falando diretamente com o público.

- Gosta de trabalhar com Diane Keaton, Mia Farrow, Alan Alda e Judy Davis, atores que aparecem em vários filmes do diretor.

- Ele não gosta de assistir seus filmes depois de prontos e é bastante crítico com seu trabalho.

- O diretor musical Dick Hyman é chamado com freqüência para adaptar clássicos da música americana para a trilha sonora dos filmes de Allen.

- Os grandes ídolos de Woody Allen são: Ingmar Bergman (aliás, ele fez vários filmes usando claramente as técnicas de Bergman, como “Interiores”, "A Outra" e “Setembro”), Groucho Marx e Federico Fellini.

- Allen contribui financeiramente para a reconstrução do Teatro de Veneza “La Fenice”.

- Quando ainda era estudante, ele foi suspenso da Universidade de Nova York.

- E por último, o diretor Stanley Kubrick chegou a pensar em convidar Allen para participar do filme “De Olhos Bem Fechados” (1999).

Fonte:
http://www.adorocinema.com.br/

Por Tabata Viapiana

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Queime Depois de Ler (2008)



Quem não viu o filme Queime Depois de Ler (Burn After Reading, 2008), dos irmãos Coen nos cinemas já pode dar boas risadas em DVD. Essa comédia ácida causa estranheza por passar do ridículo ao grotesco. Tudo isso porque o roteiro do filme possui um enredo todo que aborda o nada.
Nessa trama, os irmãos Coen satirizam os filmes de investigação. Osbourne Cox (John Malkovich) descobre que é demitido por ter problemas com bebida. Sua esposa, Katie (Tilda Swinton) o deixa para assumir seu relacionamento com Harry Pfarrer (George Clooney), um investigador federal que em 20 anos de carreira nunca tirou o revolver do coldre. Concomitantemente, Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma academia, está obcecada por mudar todo o seu corpo com uma grande cirurgia plástica. Um dia, um CD vai parar nas mãos dela e do seu melhor amigo Chad Feldheimer (Brad Pitt), instrutor da academia. Acreditando que o CD contenha números e informações confidenciais da CIA, os dois encontram nisso um meio de arranjar dinheiro para as cirurgias de Linda. Assim está dada a largada para um enredo cheio de paranóia em que cada personagem colabora para aumentar a confusão e uma conspiração sobre o nada.
Nessa trama que uma loucura, Katie trai Cox com Harry, que tem um encontro combinado na internet com Linda, que chantageia Cox. Os personagens vão se ligando das maneiras mais escrachadas por serem forçados a sustentarem uma vida dupla.
Em toda essa confusão destaca-se Brad Pitt que brilha no papel de Chad Feldheimer e tira muitas risadas com o jeito bobo do personagem e sua atuação impecável. Osbourne Cox também não fica atrás, ele consegue traduzir a agonia imaculada que pede o seu papel. O melhor do filme é a paranóia que está presente no filme inteiro. Os personagens vão criando fantasias e, consequentemente, o medo e angustia. Além disso, os irmãos Coen não ridicularizaram apenas o gênero dos filmes de espionagem, mas também a nossa vida. Todos nós temos uma estupidez em nossa essência que os diretores souberam transparecer de uma forma muito divertida e inteligente.


Por Francieli Santos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Twilight (Crepúsculo)

A série de livros da escritora Stephanie Meyer, Crepúsculo, virou febre mundial e foi logo parar nas telas. De maneira dramática e com direito a muita aventura, o casal Edward Cullen (Robert Pattinson) e Isabella Swan (Kristen Stewart) vive um amor até então não conhecido, um relacionamento que pode ir até o fim de uma vida ou a eternidade de uma existência. O filme carrega um ar misterioso do começo ao fim, com cenas de muita ação entre as florestas da pequena cidade de Forks, Washington.
Diante da atração de um vampiro irresistível e uma humana determinada a sofrer todas as conseqüências para viver esta relação, o risco de mantê-la longe do fim parece impossível, tornando a história de amor alucinante. Contam com o poder de ler mentes de Edward, sua força e rapidez além da ajuda da família Cullen para protegê-la.
O sucesso do best – seller é retratado pela diretora Catherine Hardwicke, que também dirigiu os filmes Thirteen e Lords of Dogtown. A trilha sonora inclui as bandas Muse e Linkin Park, pois serviram de grande influência para Stephanie enquanto escrevia.

Por Fernanda Berlinck

http://www.youtube.com/watch?v=WZOuOqSi0TI
Trailer do filme Crepúsculo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Bananas (1971)

“A relevância do comércio de frutas transcende o mundo do marketing e mistura-se à história política de alguns países. Ao menos dois presidentes foram depostos na América Central em golpes promovidos por produtores e exportadores de frutas. (...) Episódios como esses motivaram o humorista americano William Sydney Porter a cunhar a expressão "República de Bananas" para designar, pejorativamente, países governados por regimes militares corruptos e cuja economia, atrasada, se baseava nas exportações de um único produto básico. No cinema, esse arquétipo foi retratado por Woody Allen em Bananas, filme de 1971 em que um testador de produtos de uma grande empresa se transforma, acidentalmente, em presidente da republiqueta fictícia de San Marcos.” (Revista Veja – 09/04/2007)

Bom, partindo desse trecho de reportagem de Juliana Dualib para a Revista Veja, começo a fazer uma crítica do filme Bananas (1971), de Woody Allen. De todos os filmes dele que eu vi até agora, esse talvez seja o mais engraçado. Possui um humor real, claro e explicíto, do início ao fim. Chega a ser uma “comédia pastelão” em certos momentos, mas ao mesmo tempo, possui piadas brilhantes e geniais, que fazem o espectador rir alto – bem ao estilo Woody Allen de ser. “Bananas”, portanto, é hilário e não tem pretensão alguma de ser um filme sério.

É com esse longa que o diretor dá início às suas grandes produções recheadas de sátira. Em “Bananas”, Allen parodia desde a mídia americana até o sistema judeu, passando pelo ativismo político e pela CIA. Portanto, é também um filme de cunho político - o primeiro da carreira do diretor.

Allen retrata de forma brilhante a história da América Latina, com seus ditadores corruptos e seus "revolucionários" tão opressores quanto os generais que por vezes derrubavam. O roteiro, feito por Allen em parceira com Mickey Rose, baseia-se num enredo simples e em uma história super interessante. Fielding Mellish (Woody Allen) se apaixona por Nancy (Louise Lasser, que foi casada com Allen entre 66 e 69), uma ativista política. Eles começam a namorar até que Nancy termina com Fielding, alegando querer alguém com potencial para ser líder. Fielding, então, vai para um país na América Central, chamado San Marcos (Nancy estava envolvida com a causa desse país, que sofria com uma ditadura extremamente rígida, do general Emilio Molina Vargas), onde se junta a rebeldes locais, liderados por Esposito. Lá, Fielding acaba se tornando o Presidente da República do lugar. Quando reencontra com Nancy, ela se apaixona por Mellish ao saber que ele é um líder político, como ela sempre quis. Porém, Fielding sofre conseqüências em seu próprio país, ao ser acusado pelo governo dos EUA de trair a nação americana. O roteiro é realmente muito bom. O teor político das falas, sempre tratadas com muito bom humor e ironia, é um dos grandes destaques do filme.

“Bananas” foi produzido no momento da carreira do diretor em que ele mesmo afirma ser o que possuía o humor como maior destaque. O filme é daqueles que te faz rir muito. E isso já fica claro logo na primeira cena em San Marcos, quando a imprensa e a população estão todos a postos, na frente do palácio do governo, esperando o presidente sair para ser assassinado e para que aconteça o golpe de Estado aplicado pelo general Vargas. Detalhe: TODOS os presentes sabiam que isso ia acontecer! Esse exemplo serve para que vocês vejam como o humor é trabalhado com maestria pelo diretor durante todo o filme. Eu poderia citar outros exemplos interessantes, como a cena em que os revolucionários assaltam um restaurante em busca de comida, e fazem os funcionários levarem quilos de alimentos até o acampamento rebelde; ou ainda a cena do julgamento de Fielding, em que ele mesmo faz seu próprio advogado, e muda da cadeira de réu para a posição de advogado, e vice-versa; e por último, a cena em que Esposito, após assumir o governo de San Marcos, fica louco e começa a dar ordens malucas para a população, como por exemplo, andarem de roupas íntimas. Tudo é divertido no filme, que se torna muito agradável ao espectador, que se envolve na trama e nas piadas.

Os enquadramentos não fogem do que Allen gosta e faz. São muito bem feitos, e em alguns momentos diferenciados (como a cena do término de Fielding e Nancy, em que a câmera se coloca quase sempre atrás das plantas do local onde o casal está). Segundo o diretor, naquela época ele ainda não entendia muito bem a linguagem cinematográfica, afinal estava inciando sua carreira, e por isso ele credita muito do sucesso do filme ao montador Ralph Rosenblum, que realmente fez um excelente trabalho, e que continuaria participando dos filmes de Allen até “Interiores” (1979).

A título de curiosidade, o filme foi proibido pela censura no Brasil por um tempo, já que foi lançado na época da ditadura militar. Ele só foi liberado após cortarem a cena da maconha no Tribunal.

“Bananas” é mais uma grande obra da carreira de Woody Allen. É um filme que consegue trabalhar com a política, sem se tornar chato. Pelo contrário, aborda o tema da maneira mais irônica possível, sempre dando pequenas pontadas nos políticos e nos sistemas políticos. Mesmo sendo de 1971, o filme não está ultrapassado. Sua temática vale até os dias de hoje. Recomendo que todos assistam. O filme é realmente muito divertido!
Por Tabata Viapiana

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Rosa Púrpura do Cairo (1985)

“A realidade é um lugar muito chato, mas é o único onde eu posso comer um bom bife!”

Woody Allen é um gênio. Isso muita gente concorda e afirma categoricamente. Porém, após dirigir 40 filmes em toda sua carreira, ele ainda se mantém muito crítico em relação a si próprio. De todos os filmes que dirigiu, apenas em três deles ele não mexeria em nada: Maridos e Esposas (1992), Matchpoint (2005) e A Rosa Púrpura do Cairo (1985). Esse último, segundo Allen, é seu preferido. Bom, se o próprio diretor e roteirista do longa afirma isso, quem sou eu pra discordar né? Assino embaixo as palavras de Allen. De todos os seus filmes que eu já vi, A Rosa Púrpura do Cairo é o melhor disparado. E por vários motivos: direção, roteiro, cenários, atuações, enquadramentos, entre outros. Tudo deu certo nessa produção. Até hoje é difícil encontrar alguém que não tenha se encantado com a história do longa, que é praticamente uma unanimidade quando se fala dos melhores filmes da carreira de Allen.

“Para mim, a fantasia é que é boa. A realidade não é nem um pouco atraente”
Usando as palavras do próprio diretor que tem tudo a ver com o longa, vamos começar a falar da história de “A Rosa Púrpura do Cairo”, que se passa numa área pobre de New Jersey, na década de 30, em plena Depressão Econômica nos Estados Unidos. Cecília (Mia Farrow, que na época estava no auge de seu casamento com Allen) é uma garçonete que trabalha muito para sustentar seu marido bêbado e desempregado, Monk, (Danny Aielo), que frequentemente bate nela e a trai com outras mulheres. Cecília, infeliz, tenta fugir dessa vida, mas nunca consegue. Sua válvula de escape para os problemas é ir ao cinema de sua cidade ao menos uma vez por semana. Encantada pelos filmes que vê, pelas histórias e romances, Cecília vê no cinema o único momento de prazer de sua vida. Quando o filme “A Rosa Púrpura do Cairo” estréia, ela logo se apaixona pela história e em uma mesma tarde, assiste a cinco sessões, pois também fica admirada pelo galã do longa, Tom Braxter (Jeff Daniels). Até que de repente, o impossível acontece! Tom começa a falar com Cecília no meio do filme e sai da tela para encontrá-la. Os dois se apaixonam e começam a viver um romance um tanto complicado, já que Tom não está acostumado com os acontecimentos do mundo real. Enquanto isso, os outros atores do longa ficam perdidos sem Tom e impedidos de dar continuidade na história. Pronto! A confusão está formada e se espalha até chegar aos ouvidos dos produtores do filem, que ordenam que o ator que interpretou Tom, Gil Sheperd (também Jeff Daniels), vá até New Jersey resolver a situação. Gil e Cecília se conhecem e também se encantam um pelo outro, já que a jovem sempre foi fã do ator. Aí se desenrola o principal conflito criado por Allen: dois personagens apaixonados por Cecília, um real e outro não.
“A Rosa Púrpura do Cairo” apresenta um retrato das relações humanas (detalhe quase sempre presente nos filmes do diretor), usando características das comédias fantásticas dos primeiros filmes de Allen. Quando ele usa a fantasia no momento em que o personagem sai da tela para viver um romance com uma pessoa “real”, Allen realiza um desejo que todo mundo já sentiu alguma vez na vida: de que as coisas fossem tão lindas e perfeitas como são no cinema. Mas ao construir isso, ele logo em seguida, quebra. Por quê? Porque ele mostra que o que é fantasia é apenas isso, não se adapta ao mundo real e não tem como pertencer a ele, ou seja, algo sempre estará faltando quando você vive de sonhos e fantasias. E para completar ainda mais essa visão, o final da história é extremamente realista. Todo o romance que o filme mostrou é desfeito com um final impactante para quem estava esperando algo “água com açucar”. Allen mostra que, não adianta sonhar e idealizar romances, sempre vai ter alguém pra te passar a perna e te colocar de novo com os pés no chão.
Misturando realidade com fantasia (a grande sacada do diretor), Allen cria uma incrível história de amor, sustentada por um roteiro muito bem feito, com falas que soam extremamente sinceras e doces aos ouvidos dos espectadores. Não é à toa que foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. A direção também merece destaque: A história é linear e b/muito em conduzida por Allen. Esse é o segundo filme de sua carreira em que ele não atua (o primeiro havia sido “Interiores”, de 1979). Acredito que esse fato tenha colaborado para que a direção e o roteiro saíssem com tanta perfeição. Aliás, merece destaque o fato de que as cenas do mundo real eram coloridas, enquanto as cenas do filme fictício eram em preto-e branco. Esse contraste é interessantíssimo e um dos pontos fortes da produção. Dando sequência às suas constantes parcerias de sucesso, esse filme também tem Gordon Willis fazendo a direção de fotografia e Susan Morse na montagem.
As interpretações dos atores merecem ser mencionadas: Mia Farrow está encantadora com sua Cecília doce, romântica, de fala calma, idealizadora e sonhadora. Quem já se imaginou vivendo um romance típico dos filmes de Hollywood certamente vai se identificar com a protagonista. Danny Aielo desperta o ódio na platéia com seu jeito grosseiro e estúpido de tratar Cecília. Além do seu machismo e desinteresse pela jovem. Já Jeff Daniels arrasa com dois personagens bem distintos: seu Tom é romântico, sonhador e prático. A cena em que Tom tenta pagar o jantar do casal com dinheiro de cinema é divertidíssima (aliás, todas as cenas das trapalhadas do personagem no mundo real são boas). Já Gil é uma apologia aos atores egocêntricos e exibidos que existem aos montes em Hollywood. Mais preocupado em salvar sua carreira com o escândalo do personagem à solta, Gil não mede esforços para colocar Tom de novo dentro do filme.

A Rosa Púrpura do Cairo é, sem dúvidas, um dos grandes clássicos do cinema mundial. Vale a pena ser visto e revisto quantas vezes quiser. Eu poderia ficar horas aqui falando de tantos outros detalhes interessantes do filme. Mas prefiro que vocês fiquem com o gostinho e com a vontade de mergulhar nessa história de romance e fantasia. Coisas que só Woody Allen pode nos proporcionar!

Para finalizar, deixo vocês com as palavras do mestre sobre sua obra: "O encanto da imaginação em oposição à dor de viver é um tema recorrente em meu trabalho, mas eu nunca tinha percebido isso antes. E foram alguns críticos e amigos que me chamaram a atenção. ‘A Rosa’ é aparentemente a mais recente expressão dessa minha preocupação, como foram também "Sonhos de um Sedutor", "Zelig", "Memórias" e o livro "The Kugelmass Episode". Acho que desta vez tratei o tema de uma maneira mais divertida do que consegui fazer antes".


Por Tabata Viapiana

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Prêmios e Indicações de Allen

Oscar

Melhor Filme
1977 - Noivo Neurótico Noiva Nervosa

Melhor Roteiro Original
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1986 - Hannah e Suas Irmãs

Indicações

Melhor Diretor
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1978 - Interiores
1984 - Broadway Danny Rose
1986 - Hannah e Suas Irmãs
1989 - Crimes e Pecados
1994 - Tiros na Broadway

Melhor Ator
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Melhor Roteiro Original
1978 - Interiores
1979 - Manhattan
1984 - Broadway Danny Rose
1985 - A Rosa Púrpura do Cairo
1987 - A Era do Rádio
1980 - Crimes e Pecados
1990 - Simplesmente Alice
1992 - Maridos e Esposas
1994 - Tiros na Broadway
1995 - Poderosa Afrodite
1997 - Descontruindo Harry
2005 - Ponto Final

Globo de Ouro

Melhor Filme - Comédia/Musical
2008 -Vicky Cristina BarcelonaMelhor

Roteiro
1985 - A Rosa Púrpura do Cairo

Indicações

Melhor Diretor
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1978 - Interiores
1986 - Hannah e Suas Irmãs
2005 - Ponto Final

Melhor Roteiro
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1978 - Interiores

1986 - Hannah e Suas Irmãs
2005 - Ponto Final

Melhor Ator - Comédia/Musical
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1983 - Zelig

BAFTA

Melhor Diretor
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1986 - Hannah e Suas Irmãs

Melhor Roteiro
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1979 - Manhattan
1984 - Broadway Danny Rose
1985 - A Rosa Púrpura do Cairo
1986 - Hannah e Suas Irmãs
1992 - Maridos e Esposas

Indicações

Melhor Diretor
1979 - Manhattan
1989 - Crimes e Pecados

Melhor Ator
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
1979 - Manhattan
1986 - Hannah e Suas Irmãs

Melhor Roteiro
1983 - Zelig
1987 - A Era do Rádio
1989 - Crimes e Pecados
1994 - Poderosa Afrodite

Criador e criatura

Com enredos e roteiros surpreendentes, Woody Allen é um diretor que sabe explorar de maneira majestosa as relações humanas, o conflito moral, as diferentes essências de personalidades e atitudes do ser humano. Além disso, é especialista na arte de fazer humor com ironia fina e inteligente. A carreira desse diretor, que além de tudo também é roteirista, ator e às vezes “brinca” de ser músico, surpreende os mais embasados críticos da sétima-arte. Allen é um cineasta que traz consigo uma marca quase inigualável: uma média de 1 filme por ano, o que representa um acervo cinematográfico de 46 filmes (contanto aqueles em que dirigiu, que foi roteirista, ou que atuou).
Woody Allen teve contato com o mundo do artístico muito jovem. No ano de 1955, aos 20 anos, já escrevia para programas de TV, trabalho que perduraria por mais 5 anos. Seu contato mais próximo com o cinema aconteceria no ano de 1962, quando Allen escreveu o roteiro do curtametragem “The Laughmaker”. Três anos mais tarde, já em 1965, o cineasta escreveu seu primeiro filme: “O que há de novo, gatinha”. Além de ser o roteirista, Allen também atuou no filme. Esse seu primeiro filme trabalha muito com a comédia e o humor, característica bastante marcante no início de sua trajetória como diretor. Sua estreia é marcada por muitas sátiras ao período e é considerada uma das melhores comédias.
Seguindo cronologicamente, Woody Allen parte para seu segundo filme, “O que Há, Tigresa?” (1966), que apresenta uma redublagem de um filme de espionagem japonês, que, seguindo a linha até então apresentada, também trabalha com a sátira de espiões japoneses. No ano seguinte, 1967, o diretor encara novamente um personagem em um filme: “Cassino Royale”, em que interpreta : Jimmy Bond e Dr. Noah. O filme é dirigido por 5 diretores e começa a ajuda a contar a já conhecida história de 007.
O diretor começa a ser notado em seu 4º filme, “Um assaltante bem trapalhão” (1969), que é indicado para o prêmio Guild of America, USA, como a melhor comédia escrita diretamente para tela. Woody Allen, além de roteirista, também empresta seu trabalho como ator ao filme, no papel de Virgil Starkwell. Dois anos mais tarde, Allen, novamente atuando e dirigindo, produz o filme “Bananas”, que conta a história de um trabalhador que é apaixonado pela ativista, que o despreza por sua pouca expressão dentro da sociedade. Aí começa a se desenvolver de maneira um pouco mais clara a abordagem das relações humanas, o que seria uma das marcas principais no trabalho do diretor.
No ano seguinte, 1972, Woody Allen trabalha como roteirista e como ator no filme “Sonhos de um Sedutor”. A trama se desenvolve ao redor de um crítico de cinema que é abandonado pela mulher e se vê numa situação em que não encontra a melhor saída. O personagem idolatra um filme em especial, “Casablanca”, o que demonstra a forte relação de Allen com o cinema americano da década de 40. O enredo do filme continua e o personagem principal acaba tendo um interesse pela mulher de um amigo e aí se vê numa encruzilhada moral (outra característica bastante marcante do trabalho do roteirista).
Em seu 7º filme, o diretor fala de um tema também constante em suas obras: o sexo. Tendo como título “Tudo que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar”, a produção trata, obviamente, de assuntos relacionados ao comportamento sexual dos homens em suas relações. Além disso, Allen trabalha com o humor, outra constante de sua obra. E, como não dizer, ao final há também uma analogia racional ao comportamento humano: quando o corpo é comparado com uma máquina.
No ano de 1973, Woody Allen dirigiu, atuou e produziu o roteiro de “O dorminhoco”, filme que conta a história de um saxofonista que, após 200 anos congelados, retorna à vida em um período totalmente diferente ao que estava acostumado viver. A obra é trabalhada sempre com muito humor, mas traz à tona questões questionadoras, como o fato de o tal homem congelado, ao acordar, encontrar toda uma sociedade controlada por um “Grande Líder”, ditador que controla a vida de todos os demais membros dessa sociedade. Outra grande característica do autor é revelada aí: levantar grandes questionamentos, mesmo que imersos de muito humor e sátiras, talvez, um pouco forçadas.
“A última noite de Boris Grushenko”, de 1975, conta a história de Boris Grushenko (interpretado pelo próprio Woody Allen), um covarde que busca o amor de um prima, que, por sua vez, é apaixonada por seu irmão, Igor. Boris é mandado para a Guerra e, ao voltar, vive um “romance” com Sonja (sua prima) e planejam um matar Napoleão Bonaparte para acabar com a guerra. Um ponto importante desde filme é a ênfase que ele dá para a questão da morte, que também é tema muito recorrente dos trabalhos de Woody Allen.
Seu 10º filme, “Testa-de-ferro por acaso”, também interpretando, Woody Allen atua como caixa de restaurante, tornando-se testa-de-ferro de um de seus amigos, ao assinar os roteiros de um amigo seu que estava na “lista negra” do McCarthismo. O personagem acaba sendo usado também por mais 2 outros roteiristas, e a história tem seu ponto alto quando o tal “testa-de-ferro” também acaba entrando para a temida lista negra.
Em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de 1977, Allen trabalha com uma comédia romântica que fala sobre relacionamentos amorosos. Também interpretando, ele demonstra ao longo do enredo várias situações vividas em um relacionamento a dois. O filme rendeu a Allen 3 indicações ao Oscar, vencendo em todas: Melhor Roteiro Original, Melhor Direção, Melhor Filme.
No ano seguinte, é a vez de “Interiores”, filme que aborda com grande sutileza e inteligência o distanciamento das relações pessoas. Mesmo com o convívio diário, Allen mostra como as pessoas (através de seus personagens) acabam se tornando estranhos uns para os outros ao deixar a comunicação de lado.
Já em 1979, Woody Allen faria um filme que entraria para a história de todos os seus filmes e de todo o cinema de uma forma geral. Foi lançado nesse ano “Manhattan”, que conta a história de um escritos divorciado que vê sua mulher se juntar a outra e publicar um livro sobre assuntos particulares ao seu relacionamento anterior. Além disso, o escritor acaba se envolvendo com uma jovem de apenas 17 anos, que é apaixonada por ele, mas muito nova. Este filme recebeu indicação ao Oscar de M
elhor Roteiro Original.
“Sonhos eróticos de uma noite de verão”, de 1982, conta a história de três casais que resolvem passar um tempo em uma casa de campo para discutir seus relacionamentos amorosos e também seus problemas sexuais. A história tem todo seu clímax a medida que os personagens revelam seus mais íntimos sentimentos e dão margem para que aflore as mais inesperadas paixões.
Outro filme importante na carreira de Woody Allen é “A rosa púrpura do Cairo”, de 1985. Também sendo indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, é um filme que trabalha muito com a fantasia, que é considerada por Woody Allen “muito mais interessante que a realidade”. O filme consiste na história mágica que acontece entre uma garçonete e o personagem de um filme, que acaba vindo à vida real, desconhecendo o mundo ao seu redor.
A maioria dos filmes de Woody Allen foram filmados em Nova York, cidade a qual o diretor sempre admirou e que servia de inspiração para os seus filmes. No entanto, puxando um pouco para a atualidade, verifica-se uma grande tendência (talvez uma curiosidade de trabalhar com outros ambientes) de Allen filmar seus filmes na Europa.
Match Point, de 2005, foi gravado em Londres e é considerado o seu melhor filme na década de 20. A história retrata um professor de tênis que vê-se numa enrascada ao se apaixonar por uma mulher fora do casamento, e a partir daí surgem mais problemas que só serão solucionados ao final.
Depois de Match Point o diretor ainda fez mais 3 filmes: Scoop – O Grande Furo (2006); O Sonho de Cassandra (2007); Vicky Cristina Barcelona (2008) e Whatever Works (que ainda não estreeou). Todos esses filmes possuem temáticas que abordam a personalidade dos personagens e mostram claramente seus conflitos e as inesperadas soluções encontradas.
Woody Allen é, sem dúvida, um dos mais brilhantes cineastas existentes e que consegue trabalhar temáticas complexas de maneira fácil e intrigante. Suas obras são de grande valor para quem buscar entender a personalidade e as relações humanas, nos mais diversos graus e loucuras que ela possa apresentar.

Por Cromo Produções

Quem foi...

Allan Stewart Konigsberg, conhecido como Woody Allen, nasceu no Bronx, Nova Iorque, no dia primeiro de dezembro de 1935. Filho de Martin Konigsberg e Nettie Cherry.
Quando tinha três anos de idade teve seu contato com filmes. Sua mãe o levou para assistir Branca de Neve, e desde então as salas de cinema viraram sua segunda casa. Em sua infância, Woddy lembra que seu filme predileto era Wilder’s Double Indemnity.
No primeiro ano da escola foi colocado em uma sala adiantada porque teve seu QI considerado alto. Mas ele odiava as aulas e tornou-se um rebelde. Não fazia suas tarefas de casa, era agressivo com os professores e às vezes perturbava a aula. Era muito bom em esportes. Gostava muito de boxe e treinou por alguns meses, mas seus pais pediram para que parasse. Porém, esportes e filmes não eram apenas seus interesses. Ele era obsessivo por mágica e música; mais tarde características elementares em seus filmes. Quando completou 15 anos, foi a um programa de TV chamado O Palhaço Mágico. Fez um show de mágica com garrafas para crianças.
Na primavera de 1952, Allan S. Konigsberg mudou seu nome para Woody Allen. Ele tinha 16 anos e começou a escrever piadas e mandá-las para o jornal de Nova Iorque, esperando que eles as usassem na coluna de piadas. Por ser tímido, ele não queria que os amigos de sala vissem seu nome nos jornais. Logo então, seu nome apareceu com frequência na coluna de Earl Wilson. Todavia, em 25 de Novembro de 1952, ele teve seu primeiro crédito no final de uma coluna. Com isso, Woody tornou-se um verdadeiro escritor comediante.
Em 1953 inscreveu-se para Universidade de Nova Iorque. Não estava muito entusiasmado para ir às aulas com frequencia e tirou notas baixas no fim do semestre. A falta de humor dos professores fez com que estes não gostassem dos trabalhos engraçados do artista. Depois de um semestre, ele estava fora da universidade.
Em 1959 começou sessões de terapia com psiquiatras, pois estava sentindo-se melancólico sem razão identificável. Pela sua longa experiência em tratamentos com analistas, suas piadas sobre este assusto eram comuns em seu trabalho.
Sua primeira namorada e depois mulher foi Harlene Rosen. Ele tocava soprano sax e ela tocava piano. Woody e Harlene se casaram em Hollywood no dia 15 de março de 1956. Logo depois disso, ele encontrou seus futuros empresários Charles H Joffe e Jack Rollins.
Uma constante nos filmes de Woddy Allen são suas "musas". Ele sempre fez séries de filmes com uma determinada atriz, como Diane Keaton (nos anos 70) e Mia Farrow (nos anos 80). Sobre isso, ele fala: "Muitas vezes eu tinha uma determinada atriz em mente quando preparava um roteiro. Durante anos escrevi especificamente para Diane, depois para Mia”.
Ingmar Bergman é a grande paixão do cinéfilo Allen. A influência do cineasta sueco marca presença em vários momentos de sua obra - tanto nos dramas ("Interiores", "Setembro", "A Outra Mulher") quanto nas comédias ("Sonhos Eróticos Numa Noite de Verão").
Sobre a rotina de trabalho, Allen diz: "Tenho um método bem prosaico. Trabalho numa máquina de escrever, a mesma desde que eu tinha dezesseis anos - não tenho computador. Paguei uns quarenta dólares pela máquina, e o cara que me vendeu disse que ela ainda estaria firme bem depois de eu ter morrido. Me pareceu um bom argumento. Mas o que eu faço é, quando me ocorrem as idéias, o que acontece vez por outra, anoto-as num papel, ou numa caixa de fósforos, e guardo-as numa gaveta”.
Sua vida pessoal, que ele gostava de manter preservada, virou escândalo em 1992, quando veio à luz seu romance com a enteada de 21 anos, a coreana Soon-Yi Previn, filha adotiva da atriz Mia Farrow, sua companheira e atriz principal ao longo de dez anos. Allen casou-se com Soon-Yi, mas felizmente o "escândalo" não afetou sua produtividade nem seu brilho como diretor.

Por Cromo Produções

Estudo do filme escolhido: “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977)

"Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (Annie Hall, 1977) é um dos principais filmes da carreira de Woody Allen, apesar de não figurar na lista dos preferidos do próprio diretor. É um longa que marca o início da segunda fase da carreira de Allen, período que é considerado por muitos críticos como ponto mais alto da trajetória do cineasta. Até hoje, o filme aparece em várias eleições de maiores clássicos do cinema mundial, inclusive sendo lembrado como uma das melhores comédias do diretor. Não é à toa que “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” é o filme mais premiado da carreira de Allen, que rendeu a ele as três primeiras indicações ao Oscar dentre 21 que ele teria ao longo da carreira. O filme foi vencedor do Oscar em todas as categorias que concorreu (Melhor Roteiro Original, Melhor Direção, Melhor Filme, e o prêmio de melhor atriz para Diane Keaton, que realmente teve uma atuação brilhante). Um detalhe interessante sobre a premiação: o Oscar daquele ano aconteceu numa segunda-feira, dia em que todas as semanas o diretor tocava clarineta em um pub de Nova York, e por esse motivo ele não compareceu ao evento.
A história do filme é sobre o relacionamento amoroso de Alvy Singer (Woody Allen), um comediante de programas de Tv, judeu, neurótico, inseguro e cheio de obsessões e manias, e Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora meio hippie em início de carreira. Após certo tempo, os dois resolvem morar juntos e aí que começam a aparecer os primeiros problemas conjugais e as brigas se tornam mais constantes, até que o casal resolve se separar (fato que o espectador já sabe desde a primeira cena).
O desenrolar da história se dá de forma brilhante, afinal o roteiro é muito bem escrito, e as falas são repletas de sarcasmos (como por exemplo, nas primeiras cenas da infância de Alvy, que mostra a casa dele embaixo de uma montanha-russa). O final não poderia ser melhor: Allen trabalha o filme todo analisando a inconstância dos relacionamentos humanos em meio à sociedade moderna e em crise, para concluí-lo de forma realista, interessante e nada romântico. Aliás, finais realistas é uma característica marcante em quase todos os filmes de Allen, mesmo quando ele trata da temática do amor.
“Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” começa e termina com narrações do personagem principal, interpretado pelo próprio Allen. A cena inicial, com Alvy falando diretamente para a câmera, situa o espectador e já informa que ele e Annie não estão mais juntos. A partir disso, Alvy começa a relembrar sua infância e a falar características marcantes de sua personalidade. Nesse momento, já conseguimos perceber que o personagem é tão neurótico quanto Allen; aliás, é interessante notar que Alvy tem diversas semelhanças com o diretor, afinal, ambos são judeus, escritores, tem uma relação com a comédia (Allen também trabalhou como comediante antes de virar cineasta), são neuróticos, obcecados e pessimistas. Em determinada cena, Alvy comenta com Annie sua visão pessimista sobre a vida e diz que existem as pessoas horríveis (aquelas com problemas terminais, como cegueira ou com alguma deficiência) e as pessoas infelizes (todo o resto da humanidade), e que todos deveriam agradecer por serem apenas infelizes.
Os três fragmentos do filme que nós consideramos essenciais para o entendimento da história são: 1- a primeira cena do longa: o monólogo de Alvy, que é quando o espectador começa a perceber as principais características do protagonista, sua visão sobre relacionamentos e mulheres, e os principais acontecimentos de sua infância que marcaram sua personalidade, e é nessa hora que a gente começa a fazer parte da trajetória de Annie e Alvy; 2- a cena em que Alvy e Annie se conhecem: não tem muito o que se explicar sobre essa sequência, afinal se não fosse por ela, nada na história teria acontecido, além de ter sido uma cena muito bem construída, de forma bem delicada; 3- as duas cenas em que Annie e Alvy estão conversando com seus respectivos terapeutas: é nesse momento que eles percebem que o relacionamento deles já não é tão bom quanto antes, que os momentos bons estão diminuindo com o tempo, e depois, tudo isso vai culminar no fim do namoro deles.
O longa possui uma história não-linear. Ele começa com Annie e Alvy juntos, porém já em crise, para depois explicar como os dois se conheceram, para a partir daí o filme seguir uma ordem cronológica. A cena do primeiro encontro deles no ginásio de tênis é uma das mais engraçadas do filme. Diane Keaton arranca risos dos espectadores com sua Annie confusa e atrapalhada. Logo depois, na casa dela, acontece uma cena bastante interessante: os dois estão conversando sobre fotografia, mas enquanto falam uma coisa, pensam em outra, ou seja, há duas legendas para o leitor ler na tela: uma da fala do personagem, e outra de seu pensamento.
Um recurso utilizado diversas vezes durante a produção (e usado com maestria por Allen, diga-se de passagem) são os flashbacks. A todo instante são recordadas cenas dos relacionamentos anteriores de Annie (por exemplo, com um ator de teatro), dos dois casamentos fracassados de Alvy (aparecem flashbacks até de como Alvy conheceu uma de suas ex-mulheres), e até mesmo da infância do protagonista (como a cena em que aparece ele na escola). O que mais chama atenção nos flashbacks é a presença dos personagens atuais nas cenas do passado, comentando sobre o fato, como se estivessem assistindo ao que já havia acontecido. É como se os personagens atuais se colocassem na posição do espectador de ver e emitir opinião sobre o passado. Mas vai além disso, pois eles são mostrados dentro das cenas, porém sem o poder de interferir sobre elas. A posição da câmera em diversos momentos também merece ser comentada: Alvy fala com freqüência olhando para a câmera, como se estivesse dialogando com público. Outro ponto importante é a câmera na posição do olhar do personagem (por exemplo, na cena que o casal passeia pela praia), ou seja, o espectador vê aquilo que Annie e Alvy estão vendo. Isso aproxima o público da história do casal, que acaba se envolvendo em um romance simples, sincero e bem construído. Dessa forma, o espectador se envolve na trama, se identifica em várias situações e acaba rindo dos problemas que os casais modernos enfrentam para ter sucesso num relacionamento. Esse é um grande mérito do diretor: conseguir colocar na tela situações do cotidiano, de forma bem humorada, sem deixar de fazer uma análise profunda sobre os relacionamentos humanos. Aliás, uma das características mais marcantes da carreira de Allen é essa, a abordagem realista que ele dá à relação entre as pessoas.
Da metade para o fim do filme, percebe-se um maior número de cenas curtas e rápidas. Esse aspecto dá maior dinâmica ao filme e o torna mais leve de assistir. Além disso, é interessante mencionar que mais para o final, personagens estranhos começam a se meter na história, dando conselhos ao protagonista, como na cena em que Alvy anda na rua e um casal e uma senhora dão palpites sobre sua vida amorosa.
As atuações são impecáveis: Allen, com sua fala apressada e com características parecidíssimas com as de Alvy, cria um protagonista muito interessante, confuso e paranóico com suas manias. Alvy nos faz rir com seus problemas, como sua neurose de não entrar em sala de cinema se o filme já tiver começado. Uma das cenas mais legais e engraçadas do filme é quando eles estão na fila do cinema e Alvy se irrita com os comentários do cara que está atrás deles. As expressões faciais de Alvy são muito divertidas. Já Diane Keaton dispensa comentários. Não ganhou o Oscar à toa. Annie é divertida, complicada e muito mais despojada que Alvy. E Diane impôs uma interpretação tão apaixonante, que é difícil não se encantar por Annie.

É com esse filme que fica claro que Allen abandonou aquele humor escrachado e debochado que o havia consagrado até então em filmes como “Tudo que você sempre quis saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar”. Em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” o humor adotado é mais sarcástico, diferenciado, e focado na psicologia e complexidade dos relacionamentos humanos. É nessa produção também que se inicia a longa parceira de sucesso entre Woody Allen e o diretor de fotografia Gordon Willis. Vale mencionar o belíssimo trabalho de Gordon, que proporcionou ao filme uma iluminação muito boa - como por exemplo as cenas de sexo entre Alvy e Annie em que a iluminação era bem mais escura que o normal.
A trilha sonora é quase ausente durante todo o filme. Ela aparece apenas no final, para dar um toque especial ao encerramento da história. Allen gosta de escolher ele mesmo as músicas de seus filmes e nesse não é diferente. Por mais que a trilha sonora não seja essencial para o entendimento da história, ela está lá marcando presença, do jeito que o diretor gosta.
O grupo escolheu esse filme por ele ser considerado um dos mais importantes da carreira de Allen. Foi o longa que o consagrou perante o mundo todo e que lhe rendeu três Oscars. Sem contar, é claro, a belíssima história construída pelo diretor e o roteiro cheio de genialidades típicas de Woody Allen. Não poderíamos escolher um filme com pouca importância para esse estudo. Ao percebermos o marco na carreira de Allen que “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” representou, não tivemos dúvidas de que este seria o escolhido para esta análise. Além do filme ter agradado a todo o grupo.
Para finalizar, como disse várias vezes Alvy Singer – parafraseando Groucho Marx: “Não quero pertencer a um clube que aceite para membro alguém como eu”.


Por Cromo Produções

Você já assistiu Divã?

O filme conta a história de uma quarentona confusa com as mudanças do mundo moderno. Mãe de dois filhos e com um casamento aparentemente bem sucedido, Mercedes decide procurar um psicanalista. Por um momento ela acredita que esta cometendo um erro, já que até então ela era feliz. No desenrolar das sessões, Mercedes vai revelando suas fantasias e no final percebe que todo sua vida mudou por conta de suas necessidades. A impressão que da ao espectador é de que Mercedes conversa consigo mesma, já que em momento algum o psicanalista tem uma presença marcante.
O diretor, José Alvarenga Jr., conta muito bem os dramas vividos por uma mulher. Ele que foi diretor do seriado mulher, conhece muito bem o que as mulheres querem dizer com suas atitudes.
Quando entrei no cinema para assistir divã, o filme não era minha primeira opção, só decidi assistir pois não tinha sessão do filme que eu gostaria de assistir. Entrei na sala do cinema pensando que seria mais um filme bobinho, sem uma história interessante, com muitos palavrões(típico filme brasileiro) e muito sexo. Estava enganada..
O filme consegue despertar vários sentimentos no espectador. Ele parte de um humor crítico muito bem construído para um drama chocante, emocionante. Você parte do riso ao choro em questão de segundos. As emoções foram muito bem trabalhadas. Com o tempo Mercedes percebe que precisava de uma mudança em sua vida, e que para isso tudo bastou dar um passo, uma pequena iniciativa.
Palmas para a atriz Lilia Cabral, que fez um excelente trabalho no filme, se mostrando uma grande profissional.

Para quem quiser mais informações sobre o filme:
http://www.divaofilme.com.br/
Por Karin Sampaio

domingo, 3 de maio de 2009

Sobre Woody Allen

Bom, dando sequência aos posts sobre Woody Allen, deixo um trecho de post de um grande fã do diretor, o blogueiro Marcelo Costa (www.screamyell.com.br), que tem uma opinião bem interessante sobre o diretor, seus filmes e roteiros:

“‘Qual a graça que existe em um filme de Woody Allen?’, você deve estar se perguntando. Woody filma o mundo real, tão violento quanto terno, trágico porém belo, tanto cruel, quanto esperançoso. É preciso tato para encontrar beleza em uma rotina tão maluca quanto a que vivemos. Alguns cineastas se perdem afundando no lodo da pieguice ou da violência. Allen não. Ele se mantém na linha tênue que separa o caos da diversão. Ele não disfarça a verdade, no entanto a mostra por um prisma que chega a beirar o lirismo, quando não faz rir muito. Seu texto é, na grande maioria das vezes, impagável. Mestre em roteiros (já foi indicado ao Oscar em 13 oportunidades), Allen costura histórias como ninguém e é o terror dos tradutores, que precisam condensar em algumas linhas na tela o ritmo alucinado dos personagens do cineasta, que muitas vezes sobrepõe vozes (como em diversas cenas em mesa), isso quando não disparam a falar.”
Por Tabata Viapiana

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Manhattan e Vicky Cristina Barcelona

Oi galera! A partir de hoje aqui no blog vamos iniciar uma série de posts em homenagem ao grande diretor Woody Allen. Até a metade da semana que vem colocaremos aqui um estudo completo sobre vida e obra de Woody. Enquanto isso vamos postando críticas sobre filmes do diretor, e curiosidades e fatos sobre sua carreira. Para começar, duas críticas sobre filmes importantes de Woody, feitos em épocas diferentes: Manhattan, comédia romântica de 1979, e seu mais recente sucesso Vicky Cristina Barcelona, de 2008. Confiram!



Manhattan é uma comédia romântica, lançada em 1979, e que pôs Woody de volta a um patamar de sucesso de crítica e público, após ter feito o drama “Interiores”, que pouco agradou. A história é uma verdadeira declaração de amor de Woody à cidade de Nova York, mas o diretor vai além: constrói um roteiro que analisa de forma leve, irônica e genial os relacionamentos humanos. Com doses de amor e muito bom humor, o filme retrata problemas do cotidiano e desencontros amorosos, tão comuns a qualquer pessoa.
Resumindo o filme, ele conta a trajetória de um escritor de meia-idade divorciado, Isaac Davis (Woody Allen), que se sente em uma situação constrangedora quando sua ex-mulher, Jill, decide viver com outra mulher e publicar um livro, no qual revela assuntos muito particulares do relacionamento deles. Neste período ele está envolvido com uma jovem de 17 anos, Tracy, que acaba se apaixonando por ele. No entanto, ele sente-se atraído por uma pessoa mais madura, Mary, a amante do seu melhor amigo, Yale, que é casado com Emily.
Com atrizes renomadas, como Diane Keaton ( Mary) e Meryl Streep (Jill), o filme atrai pela história simples, pelos detalhes e cenários, apesar de ser em preto e branco. Os personagens são bem construídos, porém, aquele mais denso e que mais chama atenção é o protagonista Isaac. Arrogante, narcisista, confuso, bem humorado e amante de sátiras, Isaac é complexo, e talvez esse seja o grande mérito de Woody – além de sua bela interpretação.
A fotografia merece um comentário à parte: feita novamente por Gordon Willis (com quem Woody fez vários filmes), ela se destaca quando é totalmente escura, deixando a tela preta, e ouvindo-se apenas a voz dos atores. Outro detalhe é a quase ausência de trilha sonora, que aparece com um pouco mais de freqüência da metade para o final do filme.
Os enquadramentos são sensacionais, e o uso de câmera fixa em grande parte do longa (principalmente no início e fim) não deixa o filme perder a qualidade. Muitas vezes, os personagens aparecem conversando fora do enquadramento, ou muito próximos ao canto da tela. Em outros momentos, o personagem filmado não é o que está falando, ou seja, Woody foca na reação de quem está ouvindo a conversa.
Manhattan é um filme divertido, leve, com final romântico, porém sem ser água-com-açucar. No geral, faz o espectador pensar sobre suas relações e refletir em como a vida dá voltas e as coisas que parecem estar tranqüilas, podem mudar de uma hora pra outra. A instabilidade e imprevisibilidade dos relacionamentos humanos é a peça chave do filme, que é, sem dúvida, um dos grandes clássicos da carreira de Woody Allen.



Agora vamos falar de Vicky Cristina Barcelona. Lançado em 2008, o filme já é considerado um dos grandes sucessos de Woody no século XXI (muitos críticos consideram essa fase da carreira do diretor a menos fértil, iniciada em 2000 com a parceira com a DreamWorks).
A história (o roteiro é de Woody) retrata uma viagem à Barcelona de duas amigas americanas, que têm visões totalmente diferentes sobre relacionamentos amorosos. Vicky (Rebeca Hall) está noiva de Doug (Chris Messina) e acha que sua vida está perfeita e indo conforme seus planos. Cristina (Scarlett Johansson) acaba de terminar um namoro e ainda não sabe o quer da vida, sabe apenas o que não quer. Nesse contexto, as duas acabam se envolvendo com um sedutor pintor espanhol, Juan Antonio (Javier Barden), e sua depressiva mulher, Maria Elena (Penelope Cruz, que ganhou Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua ótima atuação).
Mais uma vez Woody trabalha com a temática do amor, e sua natureza mutante, imprevisível, prazerosa e sufocante que move todo os outros ingredientes da vida. E tudo isso imerso em cenários belíssimos de Barcelona, que encanta os espectadores e desperta a sensação de que a cidade é cheia de prazeres e emoções intensas. A narração usada durante todo o filme, é um importante recurso que expõe situações e sentimentos dos personagens.
Os personagens são todos complexos e instáveis. Da mesma forma, a trilha sonora não só completa como também compõe aquele universo repleto de paixões e personalidades temperamentais. É nesse contexto que conseguimos perceber certa dualidade entre os casais do longa: enquanto Doug e Vicky representam a razão, o puritanismo e até mesmo, o apego a coisas materiais, Juan e Maria são pura emoção, liberalismo e o gosto pela arte. Cristina encontra-se no meio dessa situação, sempre em busca de satisfação e felicidade, nem sempre alcançada.
A fascinação de Juan por Maria, bastante evidente mesmo depois dela tê-lo esfaqueado, é um ponto que Woody usa para dizer que o amor só é perfeito quando é idealizado, ou seja, quando ele não acontece, como a própria Maria afirma em um diálogo (aliás, muito interessante a mistura de diálogos em espanhol e inglês). Dentro disso, Cristina acha que se sente parte daquela família, quando na verdade, ela é apenas um elemento para que Juan e Maria consigam viver em paz. Acredito que esses dois aspectos sejam os mais interessantes do longa.
Assim como em Manhattan, muitas vezes o diretor foca a câmera não no personagem que fala, mas naquele que ouve e em sua reação. Em alguns momentos, os personagens encontram-se fora do enquadramento enquanto conversam. Aliás, o filme contém planos bem legais, como na cena em que Vicky e Juan ficam juntos no parque, que passa a sensação de forte união entre os dois.
Vicky Cristina Barcelona contém um roteiro muito bem escrito e uma trajetória bem conduzida por Woody, e é um filme muito divertido. É, sem dúvida, mais um grande acerto do diretor, que recebeu ótimas críticas após os fracassos de Scoop e o Sonho de Cassandra.

Por Tabata Viapiana