terça-feira, 12 de maio de 2009

Bananas (1971)

“A relevância do comércio de frutas transcende o mundo do marketing e mistura-se à história política de alguns países. Ao menos dois presidentes foram depostos na América Central em golpes promovidos por produtores e exportadores de frutas. (...) Episódios como esses motivaram o humorista americano William Sydney Porter a cunhar a expressão "República de Bananas" para designar, pejorativamente, países governados por regimes militares corruptos e cuja economia, atrasada, se baseava nas exportações de um único produto básico. No cinema, esse arquétipo foi retratado por Woody Allen em Bananas, filme de 1971 em que um testador de produtos de uma grande empresa se transforma, acidentalmente, em presidente da republiqueta fictícia de San Marcos.” (Revista Veja – 09/04/2007)

Bom, partindo desse trecho de reportagem de Juliana Dualib para a Revista Veja, começo a fazer uma crítica do filme Bananas (1971), de Woody Allen. De todos os filmes dele que eu vi até agora, esse talvez seja o mais engraçado. Possui um humor real, claro e explicíto, do início ao fim. Chega a ser uma “comédia pastelão” em certos momentos, mas ao mesmo tempo, possui piadas brilhantes e geniais, que fazem o espectador rir alto – bem ao estilo Woody Allen de ser. “Bananas”, portanto, é hilário e não tem pretensão alguma de ser um filme sério.

É com esse longa que o diretor dá início às suas grandes produções recheadas de sátira. Em “Bananas”, Allen parodia desde a mídia americana até o sistema judeu, passando pelo ativismo político e pela CIA. Portanto, é também um filme de cunho político - o primeiro da carreira do diretor.

Allen retrata de forma brilhante a história da América Latina, com seus ditadores corruptos e seus "revolucionários" tão opressores quanto os generais que por vezes derrubavam. O roteiro, feito por Allen em parceira com Mickey Rose, baseia-se num enredo simples e em uma história super interessante. Fielding Mellish (Woody Allen) se apaixona por Nancy (Louise Lasser, que foi casada com Allen entre 66 e 69), uma ativista política. Eles começam a namorar até que Nancy termina com Fielding, alegando querer alguém com potencial para ser líder. Fielding, então, vai para um país na América Central, chamado San Marcos (Nancy estava envolvida com a causa desse país, que sofria com uma ditadura extremamente rígida, do general Emilio Molina Vargas), onde se junta a rebeldes locais, liderados por Esposito. Lá, Fielding acaba se tornando o Presidente da República do lugar. Quando reencontra com Nancy, ela se apaixona por Mellish ao saber que ele é um líder político, como ela sempre quis. Porém, Fielding sofre conseqüências em seu próprio país, ao ser acusado pelo governo dos EUA de trair a nação americana. O roteiro é realmente muito bom. O teor político das falas, sempre tratadas com muito bom humor e ironia, é um dos grandes destaques do filme.

“Bananas” foi produzido no momento da carreira do diretor em que ele mesmo afirma ser o que possuía o humor como maior destaque. O filme é daqueles que te faz rir muito. E isso já fica claro logo na primeira cena em San Marcos, quando a imprensa e a população estão todos a postos, na frente do palácio do governo, esperando o presidente sair para ser assassinado e para que aconteça o golpe de Estado aplicado pelo general Vargas. Detalhe: TODOS os presentes sabiam que isso ia acontecer! Esse exemplo serve para que vocês vejam como o humor é trabalhado com maestria pelo diretor durante todo o filme. Eu poderia citar outros exemplos interessantes, como a cena em que os revolucionários assaltam um restaurante em busca de comida, e fazem os funcionários levarem quilos de alimentos até o acampamento rebelde; ou ainda a cena do julgamento de Fielding, em que ele mesmo faz seu próprio advogado, e muda da cadeira de réu para a posição de advogado, e vice-versa; e por último, a cena em que Esposito, após assumir o governo de San Marcos, fica louco e começa a dar ordens malucas para a população, como por exemplo, andarem de roupas íntimas. Tudo é divertido no filme, que se torna muito agradável ao espectador, que se envolve na trama e nas piadas.

Os enquadramentos não fogem do que Allen gosta e faz. São muito bem feitos, e em alguns momentos diferenciados (como a cena do término de Fielding e Nancy, em que a câmera se coloca quase sempre atrás das plantas do local onde o casal está). Segundo o diretor, naquela época ele ainda não entendia muito bem a linguagem cinematográfica, afinal estava inciando sua carreira, e por isso ele credita muito do sucesso do filme ao montador Ralph Rosenblum, que realmente fez um excelente trabalho, e que continuaria participando dos filmes de Allen até “Interiores” (1979).

A título de curiosidade, o filme foi proibido pela censura no Brasil por um tempo, já que foi lançado na época da ditadura militar. Ele só foi liberado após cortarem a cena da maconha no Tribunal.

“Bananas” é mais uma grande obra da carreira de Woody Allen. É um filme que consegue trabalhar com a política, sem se tornar chato. Pelo contrário, aborda o tema da maneira mais irônica possível, sempre dando pequenas pontadas nos políticos e nos sistemas políticos. Mesmo sendo de 1971, o filme não está ultrapassado. Sua temática vale até os dias de hoje. Recomendo que todos assistam. O filme é realmente muito divertido!
Por Tabata Viapiana

2 comentários:

  1. ok, legal o mergulho no universo de wa.
    mas não sei se o bananas é exatamente uma grande obra, nem se há uma " maestria" no humor... é um filme engraçado, de humor mais físico, mas ainda irregular, menos apurado estilisticamente...pelo menos isso meu olhar...

    em relação a seu texto, bom ter usado a citação da veja.
    ainda pode economizar mais nos elogios...

    ah, se não viu ainda, veja o edipo arrasado, do ny stories.

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  2. só reiterando...ainda fala a filmografia de wa, não? achei só os premiados.

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